sexta-feira, 2 de maio de 2014

A evolução da rede que mudou o mundo

As guerras sempre proporcionaram  grandes avanços tecnológicos para a humanidade, apesar do terrível custo das vidas dos envolvidos nos conflitos. Apesar do criador do avião, o brasileiro Alberto Santos Dumont, não ter como objetivo usar sua criação para a guerra, o grande desenvolvimento da aviação se deu no objetivo das nações de obter diferencial competitivo nas guerras. O grande desenvolvimento da logística, dos processos de gestão, das indústrias, dos navios, dos automóveis, e, é claro, das armas, tiveram como força motriz os grandes conflitos, apenas como alguns exemplos. Mas todos estes avanços se incorporaram ao cotidiano da sociedade. A mesma tecnologia que criou a bomba nuclear também tornou possível a geração de energia, o desenvolvimento da gestão que foi necessária para levar um número enorme de pessoas para a frente de batalha também foi utilizada no desenvolvimento das organizações, entre outros inúmeros outros exemplos.
A internet foi resultado de uma necessidade militar óbvia, a de comunicação. Apesar do telefone e do telégrafo terem sido suficientes até a segunda grande guerra, com o desenvolvimento das armas nucleares estas tecnologias passaram a ter grandes fragilidades estratégicas. Caso alguma arma deste porte fosse detonada no caminho de uma central interurbana, o sistema ficaria fragmentado, gerando diversas ilhas que não conseguiriam se comunicar.
Durante a guerra fria, no final da década de 1950 o Departamento de Defesa Americano investiu sem sucesso em projetos de comunicação de dados altamente distribuído. O principal obstáculo para a implantação dos projetos foi uma grande empresa americana que detinha o monopólio das comunicações nos Estados Unidos, a AT&T, por preocupações com a manutenção de seu posicionamento empresarial. Mas com o lançamento do Sputnik, o primeiro satélite artificial, pela União Soviética, o presidente americano Dwight Eisenhower e seus acessores chegaram a conclusão de que os Estados Unidos não estavam organizados o suficiente para vencer as corridas tecnológicas da época. Compreendendo que as forças armadas disputavam entre si o orçamento de pesquisa do Pentágono, e isto não estava gerando resultados, foi criada uma única entidade de pesquisa de defesa, a Advanced Research Projects Agency, a ARPA.
Os primeiros anos da ARPA foram relativamente confusos, pois existia dificuldade até em definir sua missão com clareza. Os orçamentos eram baixos para os padrões praticados pelo Pentágono, e consistiam em apoiar pesquisas relevantes em grandes universidades. A sua estrutura física consistia em apenas um escritório.
Em 1967 Larry Roberts, diretor da ARPA, concentrou sua atenção nas redes, entrando em contato com diversos pesquisadores para decidir qual caminho tomar. Era uma área nova e tinha como grande desafio encontrar possíveis especialistas que pudessem contribuir com experiências práticas. Em um simpósio realizado em Gatlinburg, Tennessee, neste mesmo ano, ele teve contato com um projeto já implementado sob a gestão de Donald Davies, do National Physical Laboratory da Inglaterra, demonstrando que a comutação de pacotes de dados poderia funcionar. Ele retornou de Gatlinburg decidido a contruir o que seria conhecido como ARPANET.

--Marco Aurélio Monteiro de Barros Thomé