Vivemos um momento de grande desenvolvimento tecnológico, onde o grande poder de processamento e a minituarização dos componentes dos computadores está permitindo inovações que parecem ficção científica. Novas formas de interagir com a tecnologia surgem a cada momento e para os usuários destes avanços tudo parece cada vez mais simples e natural.
Com o lançamento do iPhone em 2007 o conceito de realidade aumentada passou a fazer parte de nosso cotidiano, pois o dispositivo era muito mais do que um telefone com uma tela sensível ao toque, possuindo sensores de posicionamento e de geolocalização, permitindo que o telefone interagisse de forma natural com o usuário. A HP, uma das gigantes do mercado de computadores pessoais, já possuia desde o ano de 2000 o iPaq, que era um computador de mão, com tela colorida, telefone celular, tela sensível ao toque, e uma versão leve do Windows, mas que não interagia com o usuário de forma muito diferente que um computador tradicional.
O filme Minority Report, filmado em 2002, prevê em seu roteiro uma evolução da interface com o computador onde o usuário interage movendo as informações no “ar”. Atualmente podemos fazer algo semelhante com o videogame Xbox, da Microsoft, equipado com o sensor Kinect, onde a interface é operada com movimentos das mãos. Atualmente na Petrobras, em seu escritório no centro do Rio de janeiro, existem ambientes de realidade virtual onde os geólogos podem interagir com o fundo do oceano para aumentar a acuracidade na prospecção de petróleo.
Outro grande avanço é o projeto Glass, da Google, que é um óculos inteligente que projeta em uma pequena tela diversas informações para o usuário. Mas o mais formidável não é apenas a forma de interação, onde o usuário fala os comandos, mas é a tentativa do dispositivo de adivinhar o que o usuário deseja, oferecendo bons restaurantes para almoçar ou lembrando automaticamente os nomes das pessoas. E isso sem que o usuário dê comandos específicos.
Interfaces utilizando o poder do pensamento, como o vídeo apresentado no TED, é o próximo passo lógico, mas culturalmente teremos que repensar a forma como tratamos a tecnologia. O Google Glass que, apesar de ainda não ser um projeto final, já é uma realidade e pode ser comprado normalmente nos Estados Unidos e na Europa, mas já está sendo proibido em diversos locais, como cinemas e bares, pois atinge a privacidade das pessoas. Em possíveis interfaces operadas por ondas cerebrais, impedir que em provas de vestibulares estudantes consultem as respostas na internet será um desafio técnico, pois teremos que identificar se óculos é inteligente ou não. E ainda existem dispositivos que estão sendo desenvolvidos que serão subcutâneos, e praticamente invisíveis.
A evolução das interfaces com os computadores está mudando a forma como enxergamos a tecnologia e todas as preocupações são relevantes. Muitos questionam se interfaces que são operadas com movimentos das mãos não poderiam causar lesões por esforço repetitivo, ou se operações com telas em óculos sobre os olhos não poderiam criar problemas de visão, ou se utilizarmos ondas cerebrais não poderíamos ter algum efeito colateral. Também temos as questões ligadas à privacidade, pois culturalmente não estamos preparados para estar hiper conectados, com novas interfaces nos acompanhando por todos os lados e filmando tudo e todos.
--Marco Aurélio Monteiro de Barros Thomé
--Marco Aurélio Monteiro de Barros Thomé
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